Palete descartável: o que é, quando usar e quando vale a pena?

Introdução

Quando uma empresa busca reduzir o custo de aquisição de paletes, uma das alternativas que costuma surgir é o palete descartável.

O nome, porém, pode gerar uma interpretação equivocada.

Um palete descartável não é necessariamente um palete de baixa qualidade e muito menos um produto que deve ser jogado fora imediatamente após o uso. Em muitos casos, trata-se de uma estrutura desenvolvida especificamente para cumprir determinado ciclo logístico, sem carregar materiais, peso e custos que não são necessários para aquela aplicação.

Imagine uma indústria que envia uma carga para um cliente a milhares de quilômetros de distância e não possui uma operação de retorno dos paletes. Faz sentido utilizar exatamente o mesmo palete de outra empresa que movimenta seus ativos diariamente entre fábrica e centro de distribuição?

Nem sempre.

Por outro lado, escolher um palete mais leve apenas porque possui menor preço pode gerar quebras, avarias nos produtos, dificuldades de movimentação e até riscos à segurança.

É por isso que a decisão entre palete descartável, PBR ou outro modelo não deveria começar pelo preço.

Deveria começar pela operação.

O que é um palete descartável?

O termo “palete descartável” é normalmente utilizado para identificar paletes desenvolvidos para operações de uso único ou número limitado de ciclos, especialmente quando não existe uma estrutura de retorno do ativo para o expedidor.

Também é comum encontrar no mercado a expressão one-way pallet, justamente porque o palete acompanha a mercadoria em uma determinada direção sem necessariamente retornar à origem.

Diferentemente de modelos padronizados, como o PBR, o palete descartável pode ser desenvolvido considerando as características específicas da operação.

Isso permite avaliar fatores como:

  • dimensões da carga;
  • peso transportado;
  • distribuição do peso;
  • forma de movimentação;
  • distância percorrida;
  • tipo de transporte;
  • condições de armazenamento;
  • quantidade esperada de movimentações;
  • destino final.

A partir dessas informações, é possível projetar uma estrutura que utilize apenas os recursos necessários para cumprir sua função com segurança.

Esse é um ponto importante: descartável não significa improvisado.

Um bom palete descartável também precisa ser tecnicamente adequado à carga e às condições às quais será submetido.

Dica da GOL

Antes de escolher o modelo, faça uma pergunta simples: quantas vezes esse palete realmente precisa ser utilizado? Um palete projetado para muitos ciclos pode ser desnecessário em uma operação de viagem única. Da mesma forma, um modelo dimensionado para poucos ciclos pode não atender uma operação retornável.

Palete descartável significa palete de baixa qualidade?

Não. Essa associação acontece principalmente porque paletes descartáveis costumam utilizar estruturas mais simples e, dependendo do projeto, menor quantidade de madeira do que modelos destinados a múltiplos ciclos.

Mas existem duas situações completamente diferentes:

Otimização técnica é retirar aquilo que não é necessário depois de conhecer a carga e a operação.

Subdimensionamento é reduzir materiais ou resistência sem considerar adequadamente as condições de utilização.

No primeiro caso, existe engenharia e eficiência. No segundo, existe risco.

Um palete pode ser mais leve, simples e econômico e ainda assim cumprir perfeitamente sua função. O que não pode acontecer é a redução de custo comprometer requisitos importantes de resistência, estabilidade e segurança.

Por isso, dois paletes visualmente semelhantes podem apresentar desempenhos bastante diferentes.

Espessura e largura das tábuas, quantidade e posicionamento dos componentes, tipo de madeira, fixadores e desenho estrutural influenciam o comportamento do conjunto.

O objetivo não deveria ser fabricar o palete com menos madeira possível, mas utilizar os recursos necessários para aquilo que a operação realmente exige.

Quando o palete descartável pode ser uma boa opção?

Não existe uma regra universal, mas algumas características tornam esse modelo particularmente interessante.

Operações em que o palete não retorna

Esse é provavelmente o exemplo mais claro.

Uma indústria expede seu produto para outra empresa e, depois da entrega, não existe previsão de retorno do palete.

Nessa situação, utilizar um ativo mais robusto e de maior custo, projetado para muitos ciclos, pode não trazer benefício para quem realizou a expedição.

Um palete dimensionado especificamente para aquela viagem pode fazer mais sentido.

Clientes muito distantes

Mesmo quando seria tecnicamente possível recuperar o palete, a logística de retorno pode não ser economicamente interessante.

Imagine movimentar um caminhão por centenas de quilômetros apenas para buscar uma pequena quantidade de paletes vazios.

O custo de transporte pode superar o valor dos próprios ativos.

Antes de concluir que o palete deve ser descartável, porém, vale avaliar possibilidades como consolidação de cargas, aproveitamento de fretes de retorno ou logística reversa estruturada.

Produtos com dimensões específicas

Nem toda carga precisa das dimensões de um PBR.

Máquinas, equipamentos, componentes industriais e produtos com geometrias específicas podem se beneficiar de paletes desenvolvidos sob medida.

Além de melhorar a acomodação da carga, um projeto adequado pode reduzir espaços vazios e evitar a utilização desnecessária de materiais.

Operações com poucos ciclos de movimentação

Alguns paletes saem da linha de produção, são carregados em um veículo e descarregados diretamente no destino.

Outros passam por centros de distribuição, porta-paletes, transferências entre veículos, múltiplas movimentações com empilhadeiras e diversos ciclos de utilização.

São exigências completamente diferentes.

Quanto menor e mais previsível o ciclo, maior a possibilidade de otimizar o projeto para aquela aplicação.

Determinadas operações de exportação

Paletes descartáveis também podem ser utilizados em exportações, especialmente quando o ativo não retornará ao Brasil.

Nesse caso, entretanto, existe uma atenção adicional: embalagens e suportes de madeira utilizados no comércio internacional podem estar sujeitos a requisitos fitossanitários, conforme o destino e as características do material.

Quando aplicável, o palete precisa atender às exigências correspondentes, como o tratamento fitossanitário adequado.

Para entender melhor esse assunto, recomendamos também nosso conteúdo “Tratamento HT em Paletes: o que é e quando é obrigatório?”

Quando o palete descartável pode não ser a melhor escolha?

Se existem operações em que ele faz muito sentido, existem outras em que sua utilização merece uma avaliação mais cuidadosa.

Circuitos fechados

Quando os paletes circulam continuamente entre fábrica, centro de distribuição e outros pontos controlados pela própria empresa, existe uma grande oportunidade de reutilização.

Nesses casos, um ativo mais robusto pode diluir seu custo ao longo de muitos ciclos.

Operações com logística reversa estruturada

Se a empresa consegue recuperar seus paletes depois das entregas, o cálculo muda.

O custo inicial deixa de ser o único elemento importante. Passam a importar também quantidade de reutilizações, custos de retorno, manutenção e vida útil.

Alto número de movimentações

Quanto mais um palete é movimentado, maior tende a ser sua exposição a impactos, garfos de empilhadeiras, transferências e diferentes condições de armazenamento.

Uma estrutura dimensionada para uma única viagem pode não ser adequada a esse tipo de rotina.

Aplicações com exigências específicas

Porta-paletes, sistemas automatizados, esteiras, equipamentos de movimentação e determinados processos industriais podem impor requisitos particulares ao palete.

Nesses casos, não basta considerar apenas a capacidade de suportar o peso da carga.

É necessário analisar como e onde o palete será utilizado.

Atenção

A capacidade de carga de um palete não deve ser avaliada apenas pelo peso total do produto. A forma como a carga é distribuída, os pontos de apoio e a condição de uso podem alterar significativamente os esforços sobre a estrutura.

Palete descartável ou PBR: qual escolher?

Essa comparação aparece com frequência, mas os dois modelos foram concebidos para necessidades diferentes.

CritérioPalete descartávelPalete PBR
ProjetoPode ser personalizadoPadronizado
DimensõesAdaptáveis à aplicação1.000 x 1.200 mm
Ciclos de utilizaçãoGeralmente mais limitadosVocação para múltiplos ciclos
RetornoPode não ser necessárioAdequado a operações retornáveis
PesoPode ser otimizadoEstrutura padronizada
Custo inicialPode ser menor*Pode ser maior*
IntercambialidadeMenorElevada em operações compatíveis
RecuperaçãoDepende da construçãoProjetado para ciclos de reutilização e recuperação

*Os custos dependem de projeto, especificação, matéria-prima, volume adquirido e condições de mercado.

Nenhuma das duas alternativas é universalmente melhor.

Uma empresa pode, inclusive, utilizar PBR em uma parte da operação e paletes descartáveis em outra.

Essa pode ser uma estratégia muito mais eficiente do que tentar padronizar toda a cadeia em um único modelo.

O palete mais barato é realmente o mais econômico?

Essa é provavelmente a pergunta mais importante deste artigo.

Imagine duas alternativas:

Palete A: custa menos, mas não suporta adequadamente a rotina da operação.

Palete B: possui custo inicial um pouco maior, mas realiza o ciclo necessário sem apresentar falhas.

Comprar o Palete A não significa necessariamente economizar.

Uma falha pode provocar:

  • avaria da mercadoria;
  • necessidade de reembalagem;
  • interrupções na operação;
  • movimentações adicionais;
  • substituição antecipada;
  • devoluções;
  • riscos para trabalhadores e equipamentos.

Por outro lado, comprar um palete extremamente robusto para uma operação simples de viagem única também pode significar utilizar recursos e dinheiro sem gerar benefício correspondente.

Por isso, uma análise mais inteligente deveria buscar:

O palete de menor custo total capaz de cumprir com segurança e eficiência todo o ciclo logístico previsto.

Essa mudança de perspectiva é importante.

Em vez de perguntar apenas “quanto custa o palete?”, o comprador começa a perguntar “quanto custa realizar minha operação com esse palete?”

Dica da GOL

Na cotação, não compare fornecedores apenas pelo preço unitário. Certifique-se de que todos estão oferecendo paletes com especificações equivalentes. Diferenças aparentemente pequenas na construção podem explicar diferenças relevantes de preço e desempenho.

E do ponto de vista ambiental: descartável é pior?

Não necessariamente.

O próprio termo “descartável” pode levar à conclusão de que esse modelo é automaticamente menos sustentável. A análise ambiental, porém, é mais complexa.

Um palete dimensionado para uma única viagem pode utilizar menos matéria-prima e possuir menor peso. Um palete retornável, por outro lado, pode realizar diversos ciclos antes de precisar ser substituído.

Para comparar as alternativas adequadamente, seria necessário considerar fatores como:

  • quantidade de matéria-prima utilizada;
  • origem da madeira;
  • vida útil;
  • número de utilizações;
  • necessidade de manutenção;
  • distâncias de transporte;
  • viagens necessárias para retorno;
  • taxa de ocupação dos veículos;
  • destinação ao final da vida útil.

Imagine um palete robusto que percorra uma grande distância vazio apenas para retornar à origem. Esse transporte também possui impactos.

Agora imagine um palete descartável que poderia ter sido reutilizado, mas é eliminado após cada entrega. Também existe uma oportunidade perdida de circularidade.

Por isso, não existe uma resposta ambiental baseada apenas no nome ou no peso do palete.

A alternativa mais adequada depende do sistema logístico como um todo.

Curiosidade

Reduzir a quantidade de material de uma embalagem é uma estratégia conhecida como otimização ou redução na fonte. Mas utilizar menos material só representa uma melhoria quando o produto continua cumprindo adequadamente sua função. Um palete que utiliza menos madeira, mas provoca mais quebras ou perdas de produtos, pode simplesmente transferir o impacto para outra parte da cadeia.

O que acontece com o palete depois da entrega?

Essa pergunta merece fazer parte da decisão de compra.

Mesmo quando um palete é chamado de descartável, isso não significa que necessariamente precise se tornar resíduo após a primeira utilização.

Dependendo de sua condição, construção e aplicação, pode haver oportunidades de reutilização, recuperação ou aproveitamento da madeira.

Por isso, empresas que utilizam grandes volumes deveriam entender também o destino dado aos paletes depois da entrega.

Quando existe volume, concentração geográfica e viabilidade logística, pode inclusive fazer sentido desenvolver mecanismos de retorno.

É justamente nesse ponto que a fronteira entre um modelo originalmente “one-way” e uma operação circular pode começar a mudar.

Como saber se o palete descartável é adequado para sua operação?

Antes de escolher, responda a algumas perguntas.

1. Qual carga será transportada?

Considere peso, dimensões, distribuição da carga e características do produto.

2. Quantas movimentações o palete realizará?

Uma única movimentação e uma operação com dezenas de transferências exigem soluções diferentes.

3. Para onde ele será enviado?

Distância, modal de transporte, destino nacional ou internacional e condições da rota influenciam o projeto.

4. Como ele será armazenado?

Avalie se haverá empilhamento, estruturas porta-paletes, armazenamento prolongado ou exposição a condições específicas.

5. O palete retornará?

Se a resposta for sim, considere quantos ciclos são esperados e quanto custa realizar esse retorno.

6. Quais equipamentos terão contato com ele?

Empilhadeiras, paleteiras, esteiras e sistemas automatizados podem exigir características específicas.

7. Existem requisitos do cliente ou do destino?

Alguns clientes possuem padrões próprios para recebimento. Operações internacionais também podem exigir tratamentos e identificações específicos.

Depois dessas respostas, a escolha fica muito mais objetiva.

E talvez a conclusão seja utilizar um palete descartável.

Talvez seja um PBR.

Ou talvez a melhor alternativa seja desenvolver um palete específico para aquela operação.

Então, quando vale a pena utilizar um palete descartável?

O palete descartável tende a ser especialmente interessante quando a operação possui um ciclo limitado, baixo potencial de retorno e requisitos bem conhecidos, permitindo desenvolver uma estrutura adequada à carga sem adicionar características que não gerarão valor.

Já em operações recorrentes, com retorno estruturado e múltiplas movimentações, modelos desenvolvidos para reutilização podem apresentar um custo total mais interessante.

A principal conclusão é que não existe um palete ideal para todas as operações.

E o custo não deveria ser o único direcionador da escolha.

Resistência, segurança, movimentação, armazenamento, retorno, vida útil e até destinação final precisam entrar na análise.

O melhor palete não é necessariamente o mais robusto, o mais leve ou o mais barato.

É aquele corretamente dimensionado para cumprir aquilo que sua operação precisa.

Precisa definir o palete ideal para sua operação?

A GOL Paletes desenvolve e fornece diferentes modelos de paletes para aplicações industriais e logísticas, considerando características da carga, movimentação, armazenamento, transporte e ciclo de utilização.

Antes de simplesmente escolher entre PBR ou descartável, vale entender qual solução gera o melhor equilíbrio entre desempenho, segurança e custo para a sua operação.

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